quinta-feira, 13 de julho de 2006

Ciclo Ibsen - Espectáculo Peer Gynt

O Curso de Teatro e Educação em colaboração com O Teatrão apresentam o espectáculo Peer Gynt, no âmbito do Projecto de Intervenção do 4º ano daquele curso da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), de 20 a 29 de Julho no Polo II da ESEC.
Peer Gynt, em busca de si mesmo

Peer Gynt, embora não chegue a ser uma profecia sobre o “dirigismo pelos outros”, trata do perigo da falta de identidade, do perigo de uma pessoa ser uma cebola humana, toda feita de camadas sobrepostas, sem nenhum centro. - Eric Bentley

Peer Gynt, considerada uma das obras precursoras do teatro moderno – o teatro de discussão de ideias – apresenta um homem que da juventude à velhice procura o seu verdadeiro eu, a sua identidade.

Peer Gynt condensa o percurso de uma vida. Uma vida que, embora revestida por acontecimentos fantásticos, com surpreendentes aventuras com trolls, pastoras ninfomaníacas, beduínas no deserto de Marrocos, directores de hospício no Cairo, figuras alegóricas e simbólicas, pode perfeitamente ser a nossa.

Se não vejamos: Peer Gynt quer ser imperador, mas não sabe bem de quê, nem porquê, apenas quer sê-lo porque daí, pensa ele, lhe pode advir uma grande respeitabilidade e admiração social. No entanto, nada faz de palpável para concretizar este sonho. Fica à espera que o destino, por um qualquer golpe de mágica lhe ofereça de mão beijada aquilo por que tanto anseia. Deixa-se ir ao sabor do tempo, segundo as circunstancias, agarrando com toda a força do seu ser as pequenas oportunidades que lhe vão aparecendo. As três premissas que Peer orgulhosamente diz regerem a sua vida são: nunca dar um passo decisivo; avançar com prudência entre as mil ciladas da vida; deixar atrás de si espaço suficiente para bater em retirada. Premissas que assentam em princípios que nunca o comprometem com nada nem ninguém. Nunca decide, nunca opta e tem sempre a possibilidade de reconsiderar. É o mundo que faz Peer e não Peer que interfere no mundo. É o homem feito por sucessivas camadas e sem centro.

Ibsen afirmou sobre esta personagem: Peer Gynt sou eu nos meus piores momentos. E Peer Gynt não somos nós quando nos deixamos comandar pelo destino em vez de agirmos sobre ele? Não somos nós quando não tomamos opções, quando não decidimos o que verdadeiramente queremos ser ou ter, quando não traçamos objectivos para nossas próprias vidas e nos pomos a deambular sem rumo à espera que as oportunidades nos caiam do céu? Não somos nós quando queremos “bastar-nos a nós mesmos”, sem olharmos para o mundo à nossa volta? Quando, ao invés de arregaçarmos as mangas e lutarmos por algum projecto válido, ficamos imóveis, passivos, à espera que um qualquer D. Sebastião, numa noite de nevoeiro, nos venha libertar dos males de que padecemos?
Uma palavra ao público

Avisam-se desde já todas as pessoas que venham ver o nosso espectáculo que não esperem assistir a uma montagem museológica de um clássico da literatura dramática. Esperamos, antes, que tenham uma boa disposição anímica para ver uma bem-humorada e comovente comédia. Porque é através do riso que podemos melhor reflectir sobre a vida, interrogar os seus vários aspectos e descobrir o verdadeiro prazer de olhar com outros olhos para nós mesmos e para o mundo que nos rodeia.
Do velho pavilhão do Polo II da ESEC fizemos uma arena para que os espectadores possam estar mais próximos do espectáculo e, no despojamento do espaço cenográfico, verem surgir uma multiplicidade de cenários: esfinges, explosões de iates, cavalos a galopar, uma aldeia, uma floresta, uma praia, um oásis no deserto, um hospício, o interior de um navio, um mar imenso...
Sendo um poema dramático, Peer Gynt vive da comunhão entre o trabalho do elenco e a imaginação dos espectadores.
20 a 29 de Julho, no Polo II da ESEC (antigo ISCA), perto da Fac. de Economia, pelas 21h00. Entrada livre!

terça-feira, 27 de junho de 2006

Ciclo Ibsen - Apresentação


Henrik Ibsen
1828 - 1906
No ano em que se assinala o centenário da morte do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, o mais representado em todo o mundo depois de William Shakespeare, O Teatrão propõe, em co-produção com o Curso de Teatro e Educação da Escola Superior de Educação de Coimbra e com o alto patrocínio da Real Embaixada da Noruega, a realização de um ciclo dedicado ao pensamento em torno da obra de Ibsen, considerado o pai do teatro moderno -um teatro de discussão que coloca o indivíduo, na relação consigo mesmo e o com o seu lugar no mundo, no centro do debate.

Henrik Ibsen, autor praticamente ignorado em Portugal, coloca nas suas obras questões que são fundamentais hoje em dia, no sentido da compreensão das camadas que compõem o ser humano, enquanto agente responsável no mundo e pelo mundo.

Propomos, então, uma contextualização à temática ibseniana através de uma exposição, leituras, cinema e teatro. Pretendemos, com uma série de momentos com entrada livre, contribuir para a reflexão em torno da proposta de Ibsen.

Com o Alto Patrocínio da

Mais informações sobre o Ano Ibsen em www.noruega.org.pt

Ciclo Ibsen - Exposição no TAGV


Ser Poeta é Ver - Ibsen no nosso tempo

A exposição Ser poeta é ver – Ibsen no nosso tempo está neste momento a percorrer o mundo. Ela põe em destaque os temas universais que Ibsen explorou nos seus dramas e que ainda hoje são politicamente relevantes: poder político, idealismo, globalização, igualdade de género, corrupção, liberdade individual, negligência infantil, liberdade de expressão, protecção do ambiente.

Foram convidadas pessoas socialmente empenhadas para apresentarem as suas reflexões sobre estes temas. As suas opiniões e pensamentos são apresentados em montras ou em cartazes juntamente com excertos da obra de Ibsen.

De 1 a 31 de Julho de 2006 na Sala Branca do Teatro Académico de Gil Vicente, no horário normal de funcionamento daquele espaço. Entrada livre.

www.uc.pt/tagv

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Ciclo Ibsen - Lançamento no Fórum FNAC



No passado dia 9 de Junho, na Feira do Livro de Lisboa, foi lançado o livro Henrik Ibsen - Peças Escolhidas Vol. I, pelas Edições Cotovia. No âmbito do Ciclo Ibsen, O Teatrão traz até Coimbra a apresentação daquele livro no Auditório da FNAC.
O primeiro volume da obra de Ibsen traduzida para português a partir do norueguês é composto por 4 peças escritas no fim da sua carreira. Aliás, nesta colecção agora iniciada pelas Edições Cotovia, a apresentação das peças é feita através de uma inversão cronológica. Neste primeiro livro encontramos os seguintes textos: Quando nós, os mortos, despertamos; John Gabriel Borkman; O pequeno Eyolf e O constructor Solness.
Na sessão de apresentação do livro, realizar-se-á uma leitura de excertos de John Gabriel Borkman, por alunos do 2º ano do Curso de Teatro e Educação da ESEC, a apresentação do projecto Peer Gynt, com leitura de cenas desta peça, com o intuito de provocar a conversa sobre as questões que Ibsen coloca na sua obra dramática.
Dia 3 de Julho, às 18h00, no Auditório da FNAC em Coimbra.

Ciclo Ibsen - Cinema no Museu dos Transportes

De 12 a 15 de Julho, apresentamos, no Museu dos Transportes, um ciclo de cinema dedicado a Ibsen. Com um documentário sobre a sua obra e vida, filmes a partir de textos de Ibsen e uma animação com marionetas com base em Peer Gynt, pretendemos desvendar a multiplicidade de leituras que a obra ibseniana sugere.
Programa:
12 de Julho - Immortal Ibsen! (1999), de Erlyng Borgen, Documentário, Museu dos Transportes às 21h45 - 40'
13 de Julho - The Wild Duck (1963), de Tancred Ibsen, Drama, Museu dos Transportes às 21h45 - 100'
14 de Julho - Terje Vigen (1917), de Victor Sjöstrom, Drama, Museu dos Transportes às 21h45 - 60'
15 de Julho - The Adventures of Peer Gynt (1992), de David Touster, Filme com marionetas, Museu dos Transportes, 18h00 - 30'
Todas as sessões têm entrada livre. No Museu dos Transportes poderá encontrar à venda o livro Henrik Ibsen - Peças Escolhidas, Vol. I, editado pelos Livros Cotovia