segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Teatrão em Lisboa - O EFEITO DOS RAIOS GAMA NAS MARGARIDAS DO CAMPO, n' A Comuna, nos dias 19, 20 e 21 de Outubro

Foto de Paulo Abrantes

A 33ª produção d' O Teatrão, O Efeito dos Raios Gama nas Margaridas do Campo, de Paul Zindel, com encenação de João Mota, director artístico d' A Comuna - Teatro de Pesquisa, estreada a 7 de Fevereiro de 2007 em colaboração com a IX Semana Cultural da Universidade de Coimbra, apresenta-se, agora, na Sala Nova d' A Comuna, em Lisboa, no dias 19, 20 e 21 de Outubro. Esta é a 2ª saída em digressão do espectáculo, depois de uma passagem bem-sucedida em Évora, no Teatro Garcia de Resende, no passado mês de Abril. O texto de Paul Zindel foi premiado no ano de 1971 com o Pulitzer Prize for Drama.

É, para O TEATRÃO, uma proposta de discussão sobre as relações familiares entre uma mãe e duas filhas adolescentes, de sonhos perdidos, da dificuldade em viver a realidade nua e crua. O autor utiliza a experiência da exposição das margaridas aos raios gama como metáfora da própria vida desta família. Uma discussão sobre o indivíduo como produto do seu meio, produto dos seus próprios raios gama, onde uns têm capacidade de sobreviver e outros são destruídos. No fundo, uma discussão sobre o estado de “meia-vida” onde todos nos movemos, gastando a energia q.b. para sobreviver e encontrando no dinheiro o nosso meio e objectivo de vida. Só sonhamos o impossível, nunca concretizamos.

Sinopse:

Beatriz Cunha é uma mulher amarga, de língua afiada, que recebe em casa uma velha inválida como inquilina, tirando daí o sustento da sua família. Uma das filhas, Rute, é bonita, com frequentes ataques epilépticos. Matilde, a filha mais nova, não tem beleza aparente e é quase patologicamente tímida, possuindo, no entanto, um talento intuitivo para as ciências. Motivada pelo o seu professor de Física, Tillie realiza uma experiência com os efeitos de raios gama em margaridas do campo. Com esta experiência Tiliie ganha o prémio no concurso de ciências na sua escola – e provoca também o clímax arrasador da peça: orgulhosa e invejosa e, simultaneamente, demasiado afectada com as suas próprias mágoas para aceitar o sucesso da sua filha, Beatriz só mutila quando precisaria amar, critica quando quer louvar. Torturada, ela é vítima quer da sua própria natureza quer da cruel realidade que é a sua vida. Mesmo assim, a experiência de Tillie discute a possibilidade de que uma vida cheia de esperança pode surgir dum solo infértil e contaminado. Esta é a questão intemporal da peça, a raiz do seu poder emocionante e da sua verdade.

__________________________________________

Espectáculo para maiores de 12 anos / Duração _ 1h30 min.
19, 20 e 21 de Outubro na Sala Nova d' A Comuna - Praça de Espanha
Sexta-Feira e Sábado às 21h30 _ Domingo às 16h00
Reservas: 21 722 17 70

Preços dos bilhetes:
10€ _ Bilhete normal
7,5€ _ Bilhete Cartão Jovem, Sénior


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O Teatrão e a Câmara Municipal de Coimbra apresentam TerraTorga - Estreia a 4 de Outubro


Fotografia de Paulo Abrantes



A 36ª produção d' O Teatrão, TerraTorga, estreia no próximo dia 4 de Outubro pelas 21h30, no Museu dos Transportes. A convite da Câmara Municipal de Coimbra, O Teatrão preparou um projecto a que deu nome TerraTorga e que teve um primeiro momento no passado mês de Julho, com a realização de leituras de contos de Miguel Torga em vários espaços ao ar livre, em Coimbra. Estas leituras tiveram como propósito a apresentação do universo que o autor narra e descreve nos seus contos, calcorreando alguns dos lugares onde aquele terá encontrado um certo refúgio na cidade. Esta colaboração entre a nossa companhia e a autarquia conimbricense está inserida no programa de comemorações do centenário do nascimento do escritor, poeta e dramaturgo português, nascido em São Martinho de Anta, Trás-os-Montes. O espectáculo, com direcção de Leonor Barata, estará em cena até 17 de Novembro.


Terra, Família, Infância
TerraTorga é um espectáculo que nasce de um convite da Câmara Municipal de Coimbra para que O Teatrão se associe às comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga.
Como companhia com especial responsabilidade no trabalho com públicos infanto-juvenis, pareceu-nos ser, este, um grande desafio para partilhar o universo torguiano com os meninos e meninas que nos vêm visitar. Mas não só…
Mais do que dramatizar os contos de Torga ou recriar fielmente os ambientes que ele nos transmite, o que nos move, na construção deste espectáculo, é ao mesmo tempo a certeza de que este autor e as suas paisagens, apesar da diferença temporal e/ou geográfica que nos separam, ainda nos influenciam e nos constroem enquanto indivíduos e artistas e o desejo de partilhar essas imagens e reflexões com o nosso público.
Assim, a obra de Torga possibilita uma discussão em torno da nossa relação com a terra, como elemento primordial, mas também sobre a infância e a família e inevitavelmente sobre a memória que se constrói ou se vai construindo desses lugares, por vezes muito distantes.
A ideia que nos guiou, com Torga, foi sempre a possível existência de um Reino Maravilhoso, que, no seu caso, era identificada com Trás-os-Montes. Para nós, serviu de mote à construção de um espectáculo que cruza várias linguagens artísticas na procurar desse lugar. Um lugar, também, de fragilidade, nesse fio que nos conduz de um passado cheio de memórias para a projecção de um futuro, e que o vê como matéria sempre necessária. O futuro não se apresenta como destino traçado nem como inevitabilidade fatalista, ao contrário, o futuro que procuramos é esse lugar mistura de reino maravilhoso e sonhos por revelar, onde podemos respirar livremente.
TerraTorga apresenta-se, então, como um espectáculo sensorial, não narrativo, onde o que procuramos é o regresso à essência, através da construção de vários quadros. O regresso à terra. O regresso a Torga.

Leonor Barata


de 4 de Outubro a 17 de Novembro, no Museu dos Transportes
Sessões para escolas _ Segunda a Sexta: 10h30 e 15h00
Público Geral _ 4, 5, 6 e 27 de Outubro; 3 e 17 de Novembro: 21h30
____________________________________________
Preço dos bilhetes:
Normal _ 8€
Estudante / Criança _ 5€
Grupo de 10 ou + pessoas _ 3€ cada um

Informações e reservas:239 714 013 / 91 461 73 83 / geral@teatrao.com








quarta-feira, 19 de setembro de 2007

STABAT MATER, pelos Artistas Unidos, no Museu dos Transportes nos dias 27, 28 e 29 de Setembro

Cartaz de João Maio Pinto / Foto de Jorge Gonçalves


O Teatrão abre a sua nova temporada de acolhimentos com o espectáculo Stabat Mater, de Antonio Tarantino, com encenação de Jorge Silva Melo, pelos Artistas Unidos. A actriz Maria João Luís recebeu, com este espectáculo, o prémio de melhor interpretação feminina, atribuído pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Stabat Mater estará em cena nos dias 27, 28 e 29 de Setembro, pelas 21h30, no Museu dos Transportes.


Maria, à procura do filho desaparecido, acaba por sucumbir. Ex-prostituta, mergulhada na miséria, sozinha, resignada e cheia de ódio contra a sociedade. O texto é uma longa afabulação não narrativa, onde a partir da imagem marginalizada, mas vibrante das figuras de fé e do mito, e da linguagem de rua dos imigrantes, que mistura os dialectos, com efeitos de verdades e comicidades irresistíveis, sobressai a heresia, própria da vida, de uma dor que não serve nem salva, e da história que impiedosamente repete o seu ciclo sem evoluir.
«No contexto de todos os conflitos "históricos" , as razões individuais ou colectivas de cada um dos militantes dos dois blocos, submetem-se e são instrumentalizadas pelos projectos dos grupos de poder opostos e, pelos mesmos, levadas ao paroxismo através da propaganda. Desta maneira, os sentimentos origináis dos dois povos que se defrontam, são manipulados, enfraquecidos, e assim atirados para o fundo da cena dos acontecimentos onde, em primeiro plano, se tornam cada dia mais evidentes os fins e os propósitos dos dois poderes em conflito.
Assim, a cena, gangrenada pela guerra, está pronta para ser pisada sem possibilidade nenhuma de oposição, tratamento ou cura. Tudo o que podia pertencer a um autêntico sentimento dos povos ( amor pela sua história, as suas tradições, a sua terra) é substituído pela política, pela economia, e pelo armamento. Que agora observam, do alto do seu incontestado domínio, o desenrolar dos acontecimentos. O caminho da "história".»
Antonio Tarantino
27, 28 e 29 de Setembro às 21h30
Museu dos Transportes
____________________________________________
Preço dos bilhetes:
Normal _ 8€
Estudante / Criança _ 5€
Grupo de 10 ou + pessoas _ 3€ cada um
Informações e reservas:
239 714 013 / 91 461 73 83 / geral@teatrao.com

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Gil Vicente? Samicas... - Estreia a 13 de Setembro

Cartaz de Sofia Frazão


A 35ª produção d' O Teatrão, Gil Vicente? Samicas..., tem estreia marcada para o próximo dia 13 de Setembro, pelas 21h30, no Museu dos Transportes. Com direcção de António Fonseca, o espectáculo estará em cena até ao dia 10 de Novembro.

Quando eu tinha quinze anos fui tramado por Gil Vicente: num exame nacional de Português, saiu um excerto do Auto da Alma, um dos vários textos do pai do Teatro Português que tínhamos de estudar. Espalhei-me ao comprido, errei quase todas as respostas e por um triz não chumbei. Nunca mais olhei a direito esta personagem da Cultura Portuguesa, nebulosa na sua biografia: não sabemos nem quando, nem onde nasceu, nem quando morreu, nem se era ourives ou outra coisa qualquer. Sabemos que casou duas vezes que teve um filho chamado Luís e uma filha Paula, que a primeira mulher se chamava Branca Bezerra… e mais alguns pormenores… Teve muitas outras vidas que se confundem com outros nomes iguais.
Mas a obra aí ficou. E Gil Vicente passou a ser as mais de quarenta peças que escreveu, uma inspiração para muitas outras obras e sinónimo de desconfiança na escola e de sorriso escondido nos espaços dos versos e nos nomes das personagens. E muito, muito mais que isso…
Depois muito mais tarde, voltei a encontrar-me com o Mestre. Fiz como actor cinco peças dele, e algumas brincadeiras com textos seus. Li todos os textos que escreveu em português ou os que misturou com castelhano. Os que escreveu só em castelhano, confesso, passei à frente. Quando Portugal se juntar a Espanha, lá vou eu ter que os ler…
Não tenho saudades do tempo em que na escola o estudei. Uma escola que me falava muito dele mas não me dizia que Fernando Pessoa e muitos outros autores que descobri depois, tinham existido. E, não pondo em causa a importância de estudar Gil Vicente na escola, devo dizer que só lhe achei graça quando as suas palavras, as suas ideias, as suas personagens, as suas estórias ecoavam e se moviam no palco.
Este espectáculo acontece por isso. Para professores e alunos, Gil Vicente é, normalmente, um quebra-cabeças, uma chatice, um martírio. Mas ele tem outro lado. Aquele que nos fala das nossas vizinhas, dos nossos dramas existenciais, do prazer de inventar palavras, de brincar com os outros. Aquele que nos fala de um tempo de memória, antigo, longínquo e que nos liga a uma identidade mais vasta e que, tantas vezes na sua obra, parece contemporâneo do nosso. Mas essa qualidade da sua obra só se mostra em movimento, ao vivo, no teatro.
Se o teatro tem alguma função pedagógica parece-me ser esta: dar a ver as obras noutra perspectiva. Complicar o que já não é simples. Porque não tenham dúvidas: demorámos mais tempo a fazer este trabalho do que todo o tempo de aulas de Português que os alunos têm durante um ano. Seria para nós um grande motivo de orgulho se soubéssemos que este trabalho contribuiu para iluminar outras abordagens da obra de Gil Vicente, mas já ficaríamos muito contentes se tivesse sido um divertimento colectivo, uma viagem e despertasse uma curiosidade a ser concretizada lá mais para diante.

António Fonseca

de 13 de Setembro a 10 de Novembro, no Museu dos Transportes
Sessões para escolas _ Segunda a Sexta: 10h30 e 15h00
Público Geral _ 13, 14, 15, 20, 21 e 22 de Setembro; 5, 6 e 27 de Outubro; 3 e 10 de Novembro: 21h30
____________________________________________
Preço dos bilhetes:
Normal _ 8€
Estudante / Criança _ 5€
Grupo de 10 ou + pessoas _ 3€ cada um

Informações e reservas:
239 714 013 / 91 461 73 83 / geral@teatrao.com








segunda-feira, 16 de julho de 2007

Apontamentos para abertura da temporada em Setembro

Foto de Paulo Abrantes


Deixamos aqui alguns apontamentos para a abertura da temporada 2007/2008, a partir de Setembro:

_ 13 de Setembro, estreia da 35ª produção d' O Teatrão: Gil Vicente? Samicas... ;

_ 27, 28 e 29 de Setembro, Stabat Mater, pelos Artistas Unidos;

_ 4 de Outubro, estreia da 36ª produção d' O Teatrão: TerraTorga;

_ 21, 22, 23 e 24 de Novembro, Pretas e Vermelhas Penduradas nas Orelhas, produção d' A Moagem - Cidade do Engenho e das Artes (Fundão);

_ 13 de Dezembro, estreia da 37ª produção d' O Teatrão: O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, encenado por Marco Antonio Rodrigues


Até lá, boas férias!