quarta-feira, 1 de outubro de 2014

De barco aparelhado


Seguindo no rasto das terras unidas há 950 por D. Sesnando Davides, os dois episódios do espetáculo O ALVAZIL DE COIMBRA chegam esta semana a Penela (episódio 1), Miranda do Corvo (episódio 2) e Soure (episódio 1). Para trás ficaram Verride, Pombal, Lousã, Coimbra e Figueira da Foz e cinco apresentações que juntaram, em cada localidade, grupos etnográficos e de teatro amador, bandas filarmónicas e cidadãos que quiseram participar nesta aventura, como que inspiradas pelo espírito unificador de D. Sesnando. Se no séc. XI foi a defesa de Coimbra contra os mouros que provocou a construção de castelos e muralhas e agregou toda esta região, hoje é o teatro que cumpre esse especial desígnio. D. Sesnando Davides é, para nós, símbolo de tolerância e de uma prosperidade económica baseada na conjugação de esforços e não na sua divisão. É assim também o teatro: um espaço onde gente diferente se une para construir uma obra que é de todos - os que a fazem e os que a ela assistem.

O ALVAZIL DE COIMBRA tem sido, por isso, uma viagem emocionante que nos tem permitido partilhar trabalho, histórias, memórias e até salas de teatro que esta região possui e que merecem ser recuperadas para receber aquilo que todos estes grupos e coletividades insistem em preservar: a sua cultura, a sua música, o seu teatro, o seu modo próprio de viver enquanto comunidades. A nossa esperança é que este encontro estimule a vontade de mais pessoas para se juntar e descobrir novas experiências de trabalho que possam, por sua vez, alargar-se às terras vizinhas.

Em Penela, Miranda do Corvo e Soure, o público poderá ainda ver, pela última vez, a Companhia dos Faunos do Rio, esse grupo de atores que consegue viajar pelo tempo e que, em 2014, vai até ao final do séc. XIX, um período vivido entre grande instabilidade económica e social, mas que trouxe igualmente enormes transformações. Também Os Faunos estão, portanto, em mudança. Está na hora de voltarem à sua "casa" (o Rio Mondego) e deixar para trás palavras, encontros, lágrimas e sorrisos, enfim, memórias que o teatro grava na pele de quem o vive e que são, por isso mesmo, imortais - tal como é D. Sesnando...

Encerra-se, portanto, este ciclo de espetáculos de rua que O Teatrão produziu desde 2011 na região do Baixo Mondego e que procurou estabelecer uma nova relação das populações com o teatro e com a sua própria terra, também. Acreditamos que algumas sementes terão ficado debaixo das pedras que todos pisámos e que outros projetos germinarão, se não em breve, pelo menos daqui a 950 anos! É que, como bem escreveu Torga, "(...) Em qualquer aventura / O que importa é o partir, não o chegar."

Em Penela, o espetáculo será apresentado na sexta, dia 3 de outubro, às 21h, no Castelo (ou no Pavilhão Multiusos de Penela, caso chova), em Miranda do Corvo a sessão decorre no sábado, às 17h30, no Alto do Calvário (ou na Casa das Artes, se chover) e no domingo, 5 de outubro, será em Soure, às 17h30, em frente à Câmara Municipal (ou na Casa do Povo de Vila Nova de Anços, se chover). A entrada nos espetáculos é livre. 

O ALVAZIL DE COIMBRA (TEATRO DE RUA)
O Teatrão | Comemorações dos 950 anos do governo de D. Sesnando - Rede de Castelos e Muralhas do Mondego | Entrada livre, sujeita aos lugares disponíveis

Episódio 1: Castelo de Penela (ou Pavilhão Multiusos, caso chova) | 3 out | sex | 21h | Paços do Concelho de Soure (ou Casa do Povo de Vila Nova de Anços, caso chova) | 5 out | sáb | 17h30
Episódio 2: Alto do Calvário (Miranda do Corvo) (ou Casa das Artes, se chover) | 4 out | sáb 17h30

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Joaquim Benite, uma geração depois

JOAQUIM BENITE por RODRIGO FRANCISCO
Companhia de Teatro de Almada 1978 x Companhia de Teatro de Almada 2014 (Conversa)
No âmbito do programa Raukoon do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) para as LINHAS CRUZADAS
Tabacaria | 30 SET | terça | 17h | Entrada livre

 O CAPC lançou aos parceiros LINHAS CRUZADAS o desafio de conceber a programação RAUKOON, inspirada no encontro histórico que Robert Rauschenberg e Willem De Kooning tiveram em 1953, onde o primeiro, autor emergente e grande admirador da obra de De Kooning apaga um seu desenho, devidamente autorizado pelo autor, que ali compreende um profundo ato criativo. Surge assim a proposta de estudar a relação entre mestres x discípulos, consagrados x emergentes e o diálogo criativo que daí decorre.

O Teatrão participa nesta programação com uma conversa entre Jorge Louraço Figueira e Rodrigo Francisco, diretor artístico da Companhia e do Festival de Teatro de Almada, encenador e dramaturgo, sobre o seu trabalho de continuidade e renovação deste icónico projeto teatral português fundado por Joaquim Benite.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Uma comédia feita de som, de paixão e de fúria

Um músico de orquestra, o seu contrabaixo e as múltiplas paixões que o consomem são os ingredientes que voltam a juntar Antonio Mercado e António Fonseca, depois de "Passagem", estreada em 2004 ainda no Museu dos Transportes. "O Contrabaixo" é um dos mais encenados textos de Süskind (autor também do best-seller "O Perfume") e nele se apresenta a "complexa relação de amor e ódio que o músico mantém com o seu instrumento de trabalho e que é dissecada por Süskind com um misto de ternura, furor e humor sarcástico" (A. Mercado). "O Contrabaixo" assinala também uma nova etapa na relação d'O Teatrão com o vizinho Conservatório, que, além de coprodutor e anfitrião da estreia, envolve professores seus na criação do espetáculo. A partir de novembro, será a Tabacaria da OMT a receber este monólogo que nos arrebata e que nos leva tanto ao riso e à ternura, quanto à beira do precipício.

O CONTRABAIXO (Teatro) 
De Patrick Süskind | Encenação: Antonio Mercado | Com António Fonseca 
Coprodução O Teatrão e Conservatório de Música de Coimbra
Conservatório de Música de Coimbra | 26 e 27 SET | 21h30 | 28 SET | 17h30 | M12 

"Dizia Shakespeare que “o mundo todo é um palco, e todos os homens e mulheres são meros actores” ("As You Like It", II, cena VII). Na visão de Patrick Süskind, o mundo todo é uma orquestra e todos nós, homens e mulheres, somos meros músicos que passamos a vida a tocar com maior ou menor talento, com maior ou menor sucesso, conforme os atributos e oportunidades que a natureza e a sociedade nos deram ou deixaram de dar.

Na hierarquia social uns poucos têm o dom ou a sorte de serem maestros, outros serão solistas famosos, outros ainda primeiros-violinos ou chefes de naipes, e por fim vem a imensa multidão dos “tuttistas”- aqueles instrumentistas anónimos que nunca distinguimos no fosso da orquestra, mas que são indispen-sáveis para que a orquestra soe e a música exista. Ignorados pelo público, são eles os verdadeiros respon-sáveis pela massa orquestral que sustenta o brilho das estrelas.

O contrabaixista da peça de Süskind é um desses tuttistas sem nome e sem rosto no meio da multidão, o homem comum das nossas ruas e tascas, das paragens de autocarro e das filas dos supermercados, que leva às costas o fardo dos dias de trabalho árduo e traz oculto dentro de si um universo inquietante de sonhos, de frustrações, de injustiças, de alegrias e paixões.

E é de paixão que fala esta peça: acima de tudo, a paixão pela música, que o personagem sente e com-preende como poucos, embora jamais tenha conseguido distinguir-se como intérprete. Passeia à vontade pela história da música, pelos segredos de alcova dos grandes compositores, faz-nos ouvir e perceber o íntimo de algumas grandes obras. A complexa relação de amor e ódio que mantém com o seu instrumen-to de trabalho, o contrabaixo, é dissecada por Süskind com um misto de ternura, furor e humor sarcástico. Paixão também por uma jovem cantora de ópera, que leva o contrabaixisita anónimo à beira das acções mais desatinadas e estapafúrdias. Mas quem de nós jamais sentiu a força de uma paixão avassaladora, e pensou em assumir atitudes absurdas e ridículas - mas nunca teve a coragem de confessá-lo? Só o teatro permite-nos extravasar essas paixões e rir das suas consequências.

Por fim, a fúria contida dos que são ignorados, desprezados, injustamente preteridos, relegados à massa informe dos tuttistas, obrigados a executarem sempre a partitura da sua solidão e da sua submissão à rigidez das hierarquias. Uma fúria pulsante que a qualquer momento pode explodir num improvável grito de libertação."

 Antonio Mercado


FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
Dramaturgia e Direção: Antonio Mercado
Interpretação: António Fonseca
Desenho de Luz: Alexandre Mestre
Apoio Musical: Rui Pereira (Conservatório de Música de Coimbra) e Romeu Santos
Sonoplastia: Rui Capitão
Design Gráfico: unitlab, por Francisco Pires e Marisa Leiria
Fotografia: Carlos Gomes
Produção Executiva: Nuno Carvalho
Direção de Produção: Cátia Oliveira
Direção Técnica: João Castro Gomes
Produção: O Teatrão e Conservatório de Música de Coimbra 2014

sábado, 20 de setembro de 2014

O ALVAZIL DE COIMBRA: alteração de datas e locais de apresentação

Devido à instabilidade atmosférica que se mantém, a sessão de dia 20 de setembro d'O ALVAZIL DE COIMBRA, em Soure, será apresentada a 5 de outubro.

Em Pombal, a 21 de setembro (domingo), o espetáculo será apresentado no Teatro-Cine, às 17h30. Acompanhem-nos!

O ALVAZIL DE COIMBRA (TEATRO DE RUA)
O Teatrão | Comemorações dos 950 anos do governo de D. Sesnando - Rede de Castelos e Muralhas do Mondego | Entrada Livre, sujeita aos lugares disponíveis

Episódio 1: Centro Cultural de Verride (Montemor-o-Velho) | 19 set | sex | 21h | Teatro-Cine de Pombal | 21 set | dom | 17h30 | Castelo de Penela | 3 out | sex | 21h | Parque dos Bacelos (Soure) | 5 out | sáb | 17h30
Episódio 2: Cine-Teatro da Lousã | 26 set | sex | 21h | Oficina Municipal do Teatro (Coimbra) | 27 set | sáb | 15h30 | Teatro-Cine Grupo Caras Direitas (Buarcos - Figueira da Foz) | 28 set | dom | 15h30 | Alto do Calvário (Miranda do Corvo) | 4 out | sáb 17h30

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estreia de O ALVAZIL DE COIMBRA: alteração de local de apresentação

Devido à instabilidade atmosférica, a sessão de dia 19 de setembro d'O ALVAZIL DE COIMBRA será apresentada no Centro Cultural de Verride, às 21h, e não no Castelo de Montemor-o-Velho, como inicialmente previsto.

A lotação do Centro Cultural de Verride é limitada e a entrada faz-se por ordem de chegada. 

O ALVAZIL DE COIMBRA (TEATRO DE RUA) 
O Teatrão | Comemorações dos 950 anos do governo de D. Sesnando - Rede de Castelos e Muralhas do Mondego | Entrada Livre, sujeita aos lugares disponíveis 
Episódio 1: Centro Cultural de Verride | 19 set | sex | 21h | Parque dos Bacelos (Soure) | 20 set | sáb | 17h30 | Castelo de Pombal | 21 set | dom | 17h30 | Castelo de Penela | 3 out | sex | 21h
Episódio 2: Castelo da Lousã | 26 set | sex | 21h | Oficina Municipal do Teatro (Coimbra) | 27 set | sáb | 15h30 | Forte Buarcos (Fig. da Foz) | 28 set | dom | 15h30 | Alto do Calvário (Miranda do Corvo) | 4 out | sáb 17h30

Fotografia de ensaio (©Carlos Gomes)